Magnatas discutem reset na forma de produzir alimentos…

O Fórum Econômico Mundial realizou um painel/encontro para discutir sistemas alimentares no dia 15/03/2022, e a síntese do que foi discutido nesse encontro foi publicada como um artigo no dia de ontem, texto que discutirei nas próximas linhas e que serve para que compreendamos de que maneira os interesses corporativos transnacionais irão ampliar ainda mais o monopólio no setor da produção de alimentos, atacando a soberania alimentar dos povos.

O painel contou com a presença de um representante do governo norte-americano, com um representante da Unilever, um representante da Bayer, um mediador, uma pessoa ligada ao Banco Mundial e outra ligada a FAO, o que nos permite observar, através dos convidados, o tom que o debate poderia ter e a que objetivos ele se presta, já que envolve representantes de setores corporativos ligados à produção de alimentos e um representante do governo ianque.

O artigo começa articulando um amplo cenário de caos com vários cavaleiros do apocalipse, tais como as mudanças climáticas, a pandemia e o conflito na Ucrânia, para tentar demonstrar que a atual atmosfera produz inúmeras restrições para que a produção de alimentos continue exatamente como está, justamente por isso apostam no trabalho da mídia corporativa de seguir alimentando o pânico, já que, em um cenário de medo, as pessoas tendem a aceitar propostas que, em condições normais, não topariam.

Conforme já havia alertado aqui antes, a COP27 terá como centro das discussões (e o artigo do Fórum Econômico Mundial confirmou isso) a questão dos sistemas alimentares associados à necessidade de se cumprir a agenda NetZero (zerar a emissão de carbono), o que tende a representar o uso da narrativa ambiental para criar mecanismos que excluam boa parte dos produtores do processo de produção de alimentos (um ataque à soberania alimentar dos países).

Na COP26, o Brasil (e outros 40 países) assinou uma parceria com o governo norte-americano para a introdução de uma “agricultura climaticamente inteligente” que terá como cérebro das operações a Fundação Gates, o que significa que o “encontro ambiental” (entre aspas porque na verdade foi um balcão de negócios) de Glasgow já antecipou que a temática ambiental se prestará a consolidar ainda mais um mercado monopolizado no setor de alimentos.

Voltando ao artigo, ele também explora o conflito na Ucrânia para afirmar que a dependência do mundo em relação à Rússia e à Ucrânia é um grande risco (e aqui podemos inserir também a Bielorrússia), já que esses países são produtores e exportadores de alimentos e de fertilizantes, e a atual crise regional está promovendo um colapso do setor de alimentos, o que nos coloca diante da seguinte pergunta: não terá sido esse um dos motivos para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ter produzido um conflito justamente na Ucrânia?

Precisamos observar (com muito cuidado) os trechos do artigo que falam sobre a necessidade de discussão, na COP27, a respeito do estimulo ao investimento privado e público apenas em empresas que estiverem alinhadas à agenda da governança social e ambiental, inclusive deixando muito claro que produtores que ficarem à margem da proposta NetZero não devem receber subsídios agrícolas governamentais, o que representa as grandes corporações transnacionais direcionando o dinheiro público para si próprias através da pauta ambiental.

Para fechar, comento também sobre o trecho do artigo que cita a necessidade de “envolver os consumidores na mudança”, expressão que pode significar o controle total sobre a forma como as pessoas gastam seu dinheiro, pois, como já disse aqui, existem formas de excluir várias empresas do mercado através da agenda ESG, seja com um cartão de crédito com limite de carbono ou com dinheiro digital programável para ser aceito apenas em produtos que fazem parte do circuito monopolizado pelas grandes corporações (e essa parece ser a face mais nefasta da implementação da moeda digital).

Clique aqui para acessar o artigo citado no texto.

A seguir, vídeo discutindo o assunto abordado no texto.

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