O conflito Rússia-OTAN na Ucrânia e a digitalização da economia…

Conforme temos discutido aqui no canal, o atrito entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que ocorre no território ucraniano, está abrindo possibilidades para que os interesses financeiros transnacionais (ligados ao projeto do “great reset”) instrumentalizem a crise para seguir avançando em sua agenda de ampliação do domínio sobre os mercados e da imposição de um sistema de controle e vigilância sobre a sociedade (dando continuidade a um cenário que avançou muito durante a pandemia).

Vários anos de provocação do governo ucraniano em relação à Rússia, tudo devidamente estimulado pelas forças atlanticistas, acabaram desaguando no conflito que hoje assola o território ucraniano, o que, como ressaltamos insistentemente no canal, tinha, como um dos objetivos principais, produzir pesadas sanções contra a Rússia, tal como estamos vendo acontecer nas últimas semanas, desde que o governo russo decidiu por em marcha operações militares contra a Ucrânia.

A cada dia que passa, parece mais firme a hipótese de que se avizinha um colapso do sistema produtivo e financeiro, até porque, desde o início da pandemia, amplos setores financeiros transnacionais tem utilizado suas redes de influência política e científica para construir cenários que apenas agravam a situação do sistema produtivo e para promover descompassos na cadeia de suprimentos (efeitos produzidos pelos “lockdowns” durante a pandemia e pelas sanções contra a Rússia, no atual momento).

É possível antever, já que temos por hábito acompanhar o projeto geral (desses setores financeiros) em artigos do Fórum Econômico Mundial, que, diante de um colapso do sistema financeiro, seja por causa de uma “nova pandemia” ou de um “ataque hacker russo”, já existe um processual a ser seguido “para resgatar o mundo do caos produzido pela guerra e pela doença”, que é a “salvação milagrosa” (sempre ironicamente falando) que se dará através da digitalização completa das relações econômicas (algo que foi acelerado durante a pandemia, como resposta ao isolamento social).

No caso de um colapso financeiro, a tendência é de que os bancos centrais dos países, sendo norteados pelas diretivas do Banco de Compensações Internacional (BIS), acelerem a imposição de uma agenda que já tem avançado em inúmeros países, que é a de implementar a digitalização completa das relações econômicas, com o fim do papel-moeda, com o controle total (ou criminalização) sobre criptomoedas e com a implementação de moedas digitais associadas ao uso generalizado das identidades digitais.

Evidentemente, uma situação de crise e de pós-apocalipse financeiro irá produzir possibilidades para um amplo trabalho de convencimento da sociedade sobre “medidas necessárias para uma situação emergencial”, tipo de atmosfera que leva as pessoas a serem mais receptivas a ideias que, em tempos normais, elas jamais aceitariam, como a implementação de sistemas de ultravigilância promovidos através de identidades digitais e de um sistema econômico digitalizado que monitora cada passo privado que as pessoas dão.

Já discuti aqui no canal o fato de que já existe cartões de crédito com limite para consumo de carbono, o que significa que um sistema de moedas digitais, vinculado a identidades digitais que deixam todas as informações das pessoas à disposição do sistema financeiro, podem permitir, por exemplo, que o dinheiro seja programável, já que, “em uma situação de exceção”, “pode ser prudente que o sistema financeiro e que o Estado regulem a economia para evitar desajustes”.

Se casarmos a hipótese de moedas digitais programáveis (para serem gastas apenas com certos produtos ou empresas) com a proposta da agenda da governança social e ambiental, na qual empresas que não se enquadram nos critérios subjetivos determinados pelos grandes gestores de ativos globais, perceberemos que, de um apocalipse financeiro global, poderá nascer um sistema de controle de ponta a ponta da economia, no qual clientes podem receber dinheiro programável para gastar apenas com certas empresas (que deverão se enquadrar em um sistema imposto pelas grandes oligarquias globais).

Atentemos também para o fato de que, em um cenário de colapso da economia, pessoas terão que aderir a subempregos (muito provavelmente proporcionados por aplicativos) e bicos virtuais, assim como, pressionados pela situação de penúria econômica, as mais variadas empresas terão que enxugar gastos, sendo forçadas a migrar para um sistema de digitalização dos processos, substituindo pessoas por equipamentos e por inteligência artificial, para manter suas margens de ganho ou mesmo para sobreviver.

O saldo geral, de empresas substituindo o humano por tecnologia e de trabalhadores tendo que fazer bicos virtuais, é o do amplo domínio das grandes empresas de tecnologia (“big techs”) sobre todos os ramos produtivos e de serviços, algo que faz parte do projeto da 4ª revolução industrial (nos moldes do que é proposto pelo Fórum Econômico Mundial)… Lembrando que as “big techs” estão sob posse de poucos gestores de ativos, o que significa um amplo monopólio dos mercados através do uso da tecnologia.

A seguir, vídeo discutindo o assunto abordado no texto.

2 comentários

  1. Boa noite

    Gosto de suas análises me parece muito sensata
    Tens uma boa dicção é claro nas explicação
    Não agride ninguém muito bacana
    Mas tenho uma questão que gostaria de ouvir sua opinião:
    Nesse processo de digitalização do dinheiro como fica o cx 2 o tráfico e toda a economia informal?

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    • essa é a grande pergunta, como essas movimentações legais e ilegais irão se reconstruir para seguir sobrevivendo em um ambiente de economia digitalizada. É até provável que a corrupção no Brasil atrase o projeto, o que significa uma coisa ruim colidindo com outra… contradição de interesses podres.

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