A Cúpula das Américas e a preocupação atlanticista com o Caribe…

A Cúpula das Américas está para começar, mas o “think tank” Atlantic Council já produziu um artigo (na semana passada) sobre a importância do evento para que os ianques possam se aproximar mais dos países do Caribe para evitar que essas nações saiam da sua órbita de influência, seguindo a velha lógica de tomar a América Latina como o seu quintal e sobretudo a região do Caribe como uma zona importante que precisa estar sob o seu controle.

Diga-se de passagem, a Cúpula das Américas tem gerado dor de cabeça para Biden desde que ele decidiu excluir as lideranças de Cuba, da Venezuela e da Nicarágua do encontro, o que foi criticado por vários países que acusam os norte-americanos de assenhorarem-se do evento para utilizá-lo para a consecução de seus objetivos, produzindo o receio, por parte do governo Biden, de mais um fiasco internacional.

O presidente mexicano Lopez Obrador já afirmou que não irá comparecer, solidarizando-se com Cuba, Venezuela e Nicarágua, o que poderia transformar-se em uma verdadeira derrota e fiasco para Biden se Bolsonaro também decidisse não ir, já que isso representaria os líderes de dois grandes países da América Latina deixando Biden no vácuo, fato que poderia aumentar ainda mais a crise de governabilidade que os Democratas já vivem (mas parece que Bolsonaro irá comparecer).

Voltando ao artigo do Atlantic Council, ele também emerge em um contexto no qual os países membros da Comunidade do Caribe (CARICOM) também não viram com bons olhos a exclusão de Nicarágua, Cuba e Venezuela do encontro, o que pode ser somado à crise de impopularidade que Biden já vive na América Central (porção continental) por causa da crise migratória que foi disparada pela demagogia de campanha de Biden (quando o presidente deixou implícito que abriria as portas para migrantes da região).

Como sempre, a retórica do Atlantic Council usa e abusa do termo “democracia” para fazer demagogia quando afirma que é necessário evitar que os “regimes democráticos” de países do Caribe sejam “contaminados” por “regimes autoritários” do continente, o que pode ser traduzido como uma preocupação ianque em perder influência sobre essas nações que costumam votar favoravelmente aos interesses norte-americanos em votações em órgãos internacionais (algo admitido pelo próprio artigo).

O artigo também fala a respeito da importância dos Estados Unidos estabelecerem parcerias energéticas e voltadas ao combate às mudanças climáticas, o que podemos entender como o avanço da agenda da governança social e ambiental (ESG) sobre os países do Caribe para que o interesse transnacional possa monopolizar ainda mais o mercado de energia desses países, como parece estar na prancheta de tubarões financeiros como a BlackRock (que tem membros dentro do governo Biden).

Além disso, o artigo também deixa transparecer as dificuldades para que os Estados Unidos consigam promover mais parcerias econômicas com o Caribe, já que não conseguem ampliar suas exportações para esses países, mas também não conseguem garantir que empresas se instalem nesses países, o que mais uma vez nos remete ao tema da dificuldade que as forças ocidentais estão tendo para trazer para o hemisfério ocidental os parques produtivos que hoje se encontram na China (dadas as evidentes vantagens comparativas apresentadas pelos asiáticos).

Clique aqui para acessar o artigo citado no texto.

A seguir, vídeo discutindo o assunto abordado no texto.

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