Interesse transnacional usa tema da saúde para promover racionamento…

Recentemente, o Fórum Econômico Mundial publicou um curioso artigo propondo o mapeamento dos alimentos do mundo e uma alimentação mais saudável para a população global, tomando, como ponto de partida para a mudança, a atual crise alimentar que o mundo tem vivido, o que significa que, mais uma vez, o lema “aproveitar a crise como uma oportunidade” está sendo utilizado (sem mencionar o fato de que a crise foi produzida pelos mesmos setores que querem capitalizar sobre ela, logicamente).

O mais estranho da situação é que o Fórum Econômico Mundial propõe alimentar o mundo com comida mais saudável, mas utilizando como norte a discussão feita pela Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (que ocorreu no ano passado), que teve como lastro as ideias propostas pelas grandes corporações transnacionais de alimentos, grande responsável por vender comida de péssima qualidade no mundo todo (e que coloca em risco a soberania alimentar dos países).

Justamente por isso, precisamos refletir com algum cuidado a respeito desse artigo do Fórum Econômico Mundial, já que sua proposta de “reduzir o consumo de açúcar e de carne” parece estar mascarando um outro projeto que se disfarça sob a roupagem da saúde alimentar, já que bem sabemos que os interesses que dão lastro a esse grupo de discussão nunca foram conhecidos por se preocuparem com a alimentação das pessoas (ainda mais em termos de saúde).

Quando o artigo fala sobre evitar desperdícios e sobre propor uma agenda ambiental, parece evidente que mais uma vez voltamos ao velho tema “malthusiano” do racionamento de recursos, e é bastante provável que o tema do “açúcar”, da “carne” e do “desperdício” seja apenas uma pauta ética para lastrear uma defesa do racionamento, pois seria impossível arregimentar o apoio de setores sociais desavisados sem um discurso ético (e bem sabemos que a narrativa ambiental e da saúde são eficazes nesse sentido).

O “great reset” é uma proposta de implosão controlada do atual sistema econômico e a reconstrução dessa realidade sob bases ainda mais monopolistas, e parece que a transição já está promovendo uma aguda crise social e política, justamente por isso esses setores lançam mão da “great narrative” (também proposta pelo Fórum Econômico Mundial), buscando formar exércitos militantes que defendam que a penúria é “algo necessário” para se superar a atual crise, e não produto de uma agenda financeira transnacional.

Assim sendo, atira-se uma cortina de fumaça sobre o fato de que a crise foi fomentada por esses mesmos setores financeiros (entusiastas dos “lockdowns” e que tem feito de tudo para prolongar o conflito na Ucrânia, tal qual as sanções contra a Rússia) para que possam capitalizar sobre as brechas deixadas pelos setores econômicos que naufragam, e é colocada no lugar uma narrativa na qual esses grandes magnatas aparecem com soluções mágicas para a crise alimentar e ambiental (sobre a qual eles mesmos são historicamente responsáveis).

A coisa toda fica ainda mais bizarra quando o artigo cita vários projetos, muitos dos quais financiados pela Fundação Rockefeller, que estão buscando criar uma espécie de “Tabela Periódica dos Alimentos”, o que nada mais é do que os grandes interesses econômicos transnacionais mapeando os alimentos do mundo e propondo um amplo controle sobre toda a produção de alimentos (utilizando o tema da saúde e do ambiente como narrativa).

E a questão aqui não se trata de defender a alimentação pouco saudável, o desperdício ou um retorno a formas rudimentares de produção, mas de demonstrar a contradição que significa quando setores responsáveis por boa parte dos problemas apresentam-se como a solução, o que simboliza um questionamento não das ferramentas, mas sim do fato de que essas ferramentas propostas estão nas mãos de poucos e sendo utilizadas para fins diferentes dos propagandeados.

Adicionem a essa discussão o fato de que estão sendo implementadas moedas digitais no mundo inteiro, o que permite que sejam programáveis para serem utilizadas apenas em certas situações, algo que deve ser refletido junto com a agenda da governança social e ambiental (que está criando critérios e pontuações para destinar investimentos para empresas “éticas), e teremos um vislumbre de que a criação da classificação de “alimentos éticos em termos de saúde e natureza” pode se prestar a canalizar o dinheiro apenas para certas empresas ligadas a esses interesses financeiros transnacionais (piorando um cenário que já é bastante monopolista).

Clique aqui para acessar o artigo citado no texto.

A seguir, vídeo discutindo o assunto abordado no texto.

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